Viagem a Barcelona, Setembro 2005 (5)

13.SET.2005 04:25AM

Cheguei. Este dia foi muito mais calmo, fisicamente falando. Foi um dia normal de trabalho num ambiente de congresso: várias sessões para assistir, prémios para ganhar (ganhei um livro sobre Novel OES) e no final do dia, um jantar oferecido pela Novell Espanha. Depois, seguimos em direcção à noite de Barcelona (bares, discoteca,…). A noite em Barcelona não pára. A esta hora, numa 2ªfeira à noite ainda andam muitas pessoas na rua. Isto é realmente uma cidade diferente. Bem, vou tomar banho e vou-me deitar. Até amanhã.

13.SET.2005 23:40PM

Mais um dia de trabalho. Isto está a ficar cansativo. Ainda por cima com poucas horas de descanso…Hoje acordei eram quase 09:00. Ainda bem que só tinha sessões às 10:30. Hoje vou deitar-me cedo porque amanhã tenho sessões a começar às 09:00…e também estou cansado. Mais um duche e…cama!

15.SET.2005 05:00AM

E pronto… passou mais um dia (e uma noite). Foi mais um dia de trabalho. À noite fomos todos jantar ao “El blop”, que é uma taberna com comida típica catalã (http://gastronomyblog.com/2010/05/18/taverna-el-glop-barcelona/). Comemos umas entradas muito boas (queijos, presuntos, enchidos, pão de alho,…) e uma grelhada mista.

Creme à Catalunha, Taberna El Blop

No final comi um “crema à Catalunha” que não é mais do que um pudim de baunilha numa taça, com açúcar queimado por cima (tipo leite creme). Depois fomos todos dar uma volta pela zona dos bares na marina (Porto Olímpico). Já são 05:05 e ainda tenho as malas para fazer.

Amanhã não vou ter tempo para escrever, por isso, faço agora o resumo da viagem. Um espectáculo!

Barcelona é de facto uma cidade com tudo: história, monumentos, museus, bons transportes, muita animação, muitas zonas verdes,…Fica já aqui a promessa: vou voltar!

Até depois Barcelona.

Viagem a Barcelona, Setembro 2005 (4)

(continuação)

11.SET.2005 23:50

Hoje começo mais cedo a escrever. Não é por ter muito, mas sim porque amanhã tenho de ir trabalhar…

Se ontem o dia serviu para encher a vista, hoje serviu para encher o espírito. Já lá vamos. Hoje só consegui acordar duas horas depois do despertador (07:30) e já com o sol a entrar no quarto. Mas tinha tomado um opção: não iria correr como ontem; até porque estou ligeiramente lesionado (pés, virilhas,…). Apanhei o metro em Pg. De Grácia (linha amarela) e saí em Jaume I. Depois de ter saído fiquei a saber que devia ter saída na anterior (Urquinaona). Mais um passeio pela Via Laietana e ruas paralelas.

Palau de la Musica Catalana, Barcelona

Cheguei ao Palau de la Musica Catalana. À primeira vista parece um edifício novo, devido à parte que foi construída/reparada recentemente, mas depois de ver a parte antiga…ai, ai, ai. Se na S.F. fiquei sem palavras, então aqui, depois de começar a ver o interior (onde não se pode tirar fotos nem fazer filmes por motivos de direitos de autor), fiquei…emocionado. Se antes não tinha palavras, agora não tenho sentimentos, ou melhor, estou/fiquei baralhado, emocionado, cheio. E depois de ouvir a “Toccata e Fuga” de Bach na sala de concertos do coro, fiquei com lágrimas nos olhos. E ali tomei uma decisão: hei-de ali voltar para assistir a um espectáculo. Vamos aos factos: toda a decoração do edifício está feita em vidro e cerâmica. Desde o tecto, passando pelas paredes, até ao fundo do placo, tudo é vidro e cerâmica. Claro que o palco é de madeira, assim como a estrutura das portas, existem esculturas em pedra, mas até os balaústres dos corrimões das escadas são em pedra e vidro! Esta foi a 1ª de três vezes em que hoje estive com lágrimas nos olhos. Acabada a visita (+-50minutos) pus-me a caminho da catedral de Barcelona. Quando lá cheguei estava a decorrer uma missa. Dei uma voltinha pelas capelas laterais e assisti à missa. Quando voltei para o meu lugar depois de ter comungado emocionei-me pela 2ª vez. Afinal estava sozinho, a 1200Km de casa, sem conhecer ninguém. Mentira! Emocionei-me porque me senti em casa. Estar ali a comungar o Corpo de Cristo com aquelas pessoas, depois do abraço da paz, senti mesmo que Deus está connosco quando nós quisermos; e naquele momento Ele estava ali.

Depois da missa, vi como os espanhóis são mesmo virados para o turismo.

Cadeiral, Catedral de Barcelona

Os seguranças não deixaram ninguém dentro da catedral. Fecharam as portas durante 15 minutos e voltaram a abri-las para começarem a vender os bilhetes. Ah, ía-me esquecendo…em todos os locais turísticos onde se paga para entrar, existem seguranças com o propósito de controlarem os turistas. E até falam inglês!

O que mais me impressionou foi o cadeiral. Não é tão imponente como o de Toledo, mas o trabalho da madeira e pintura está um espectáculo.

Depois da visita fui procurar um sítio para almoçar. Afinal já eram 15:00. Depois de umas voltas, fui parar a um bar atrás da catedral chamado “Hugo Tapas Bar”. Não sei se pelo nome ou pela fome, entrei. É o típico bar-tasca com um balcão do lado direito onde existem uns bancos, a entrada é estreita (por causa do balcão) e ao fundo tem uma salinha com 4 mesas pequenas, umas grades de garrafas ao longo das mesas, uns quadros de Barcelona nas paredes e uma televisão. Comi mais e melhor que ontem (e mais barato). Desta vez foram cogumelos, mexilhões e jamon serrano (um prato cheio!!). Até a “clara” era o dobro da de ontem (em quantidade).

De seguida fui passear pelos bairros em direcção às Ramblas. Passo defronte de uma igreja e fico a saber que vai haver um concerto de guitarra espanhola com Manuel González. Trago um folheto (muito gentilmente entregue por uma das promotoras) e sigo para ver as Ramblas. Concluo que aqui é o local de Barcelona onde se encontram mais pessoas por metro quadrado a qualquer hora. Assisto a algumas representações dos artistas de rua e até a uma tentativa falhada de um carteirista assaltar a mochila de um turista. O tipo corria mesmo depressa. Sigo em direcção à Pedrera. Já não tenho muito tempo. Quero ver também a Casa Batlló e ainda tenho de passar pelo hotel. Isto tudo a tempo de estar na Basílica de Santa Maria del Pi antes das 20:00.

A Pedrera (ou Casa Miló) admirou-me, mas não me deslumbrou. Admira-me a capacidade de Gaudi para trabalhar as formas e as cores de forma a aproveitar o melhor para um arquitecto: a luz natural. Também fiquei admirado pelo tipo de construção utilizada. Toda a estrutura da casa é feita de vigas de ferro unidas por enormes ‘rebites’. A solução do sótão também está um espectáculo: fazer arcos salientes com tijolos maciços, que em conjunto com todo o tecto, também em tijolo maciço, faz o controlo da temperatura arrefecendo a placa no verão e aquecendo no inverno. Saí a correr (não sem antes visitar o apartamento-museu), passo novamente pelo hotel e sigo direito à Casa Batlló. Já são 18:40 e tenho de me despachar.

É impressionante como Gaudí aproveita a luz natural desta casa. Até à última divisão (o armazém), que está no piso térreo, tem luz natural.

Clarabóia, Casa Batlló

Tudo fruto de duas clarabóias interiores que cavam dois fossos de luz, desde a cobertura até ao rés-do-chão; para uniformizar a iluminação, os azulejos da parte superior são mais escuros e os de baixo mais claros. É igualmente fantástico a forma como ele resolve as questões da ventilação. Se muitos dos nossos actuais arquitectos se preocupassem mais, seriam desnecessários ar-condicionados e afins. Com lareiras e ventilação adequada fazem-se milagres. Esta visita foi a correr. Já são 19:25 e ainda tenho de ir apanhar o metro. Agora são 19:50, já estou sentado dentro da igreja e ainda tive tempo de comer um bolo e beber um chocolate. É o que faz o metro andar sempre a horas.

O artista chegou com 5 minutos de atraso (como todos os bons artistas) e prepara-se para começar. Ao fim de 5 minutos estou rendido. O homem é mesmo bom. As notas parecem dançar no ar descrevendo imagens, sentimentos e lugares. Composição atrás de composição bato as palmas com mais força. Eu e as outras pessoas. Todos estamos enfeitiçados pela música que sai da guitarra de Manuel Gonzalez. Culmina com a interpretação da “Gran Jota Aragonesa”, em que ele toca só com a mão esquerda, imita vários instrumentos de percussão só com a viola utilizando a caixa e/ou as cordas. É incrível. No final as pessoas levantam-se para aplaudir e exclamar “Viva!”.

Basilica St Maria del Pi, Barcelona

Mas é com a peça seguinte que me tocou o sentimento. Isto nunca me tinha acontecido desta forma. Ao ouvir e sentir o adágio do Concierto de Aranjuez de Joaquin Rodrigo, envolto em silêncio juntamente com mais de 500 pessoas, com velas acesas nas capelas laterais da Basílica, com a imagem de Nossa Senhora ao fundo, fiquei com as lágrimas nos olhos pela 3ª vez neste dia. Foi o melhor final de dia que podia ter tido. No final do concerto toda a plateia obrigou os músicos (nas últimas duas peças houve a colaboração de Jordi Vilaprinyó ao órgão) a voltar duas vezes para mais duas interpretações. Por fim, o guitarrista atravessou a Basílica desde o altar até à porta principal (saindo por aí) debaixo de uma ovação de pé. Senti-me pequeno (no meio de tanta arte) mas cheio por dentro. Comprei um CD, pedi para ele autografar o vim-me embora para o hotel.

O resto da noite decorreu normalmente, havendo só mais uma coisa a referir. Depois do jantar, enquanto me dirigia calmamente para o hotel, comecei a ouvir o som de uma flauta. Era um senhor que estava sentado num degrau a tocar flauta e com o respectivo chapéu a aguardar um donativo. Ali fiquei, sentado num banco de jardim a apreciar a música. O mais espantoso foi quando reparei que ele oferecia um livrinho a quem lhe dava uma moeda. Isso fez-me pensar: quem é que está ali a dar? São as pessoas que passam, vêem um homem velho de barbas brancas a tocar flauta e param para dar uma esmola, ou é o homem ao encher a rua com belos sons e palavras? Palavras sim, porque o que está escrito no livro são palavras dele (Joan Parera) que eu traduzo aqui. Estas são as que estão na capa: “Proposta pessoal de princípios fundamentais baseados no civismo, com intenção de estimular o conhecimento e a divulgação dos elementos que formam os valores contemporâneos”. Bom, depois de um taxista revolucionário encontro um ‘pedinte’ filósofo. Concluo que Barcelona estará cheia de pessoas com vontade de mudar algo, de inovarem, de reinventarem.

E pronto. Acabou mais um dia. Já são 01:40 e amanhã vai ser um dia de trabalho. Boa noite.

(continua)

Viagem a Barcelona, Setembro 2005 (3)

(continuação)

11SET2005 03:30AM

Uffff! Estou estoirado. Hoje não vou dizer todas as voltas que dei, apenas digo que fiz as carreiras vermelha e azul completas! Comecei o dia atrasado uma hora. É que pus o despertador do telemóvel a tocar às 07:00 e esqueci-me de mudar a hora.

Porta da Paixão, Sagrada Familia

Depois enganei-me na linha: apanhei a azul em vez da vermelha. Mas enfim, eram 10:30 estava na Sagrada Família. Não há palavras que consigam descrever todo o trabalho já feito e o que ainda está por fazer. Não há dúvida: Gaudí é de facto um dos melhores arquitectos do mundo e de todos os tempos. Comprei um CD com toda a história da Sagrada Família e, por isso, não vou descrever.

 

Almocei num bar de tapas perto da S.F. Comi salada de polvo, cogumelos num molho qualquer mas que era bom, e meia beringela com bocadinhos de carne de porco e vaca. “Una clara” para acompanhar e fiquei pronto para mais uma visita. Próxima paragem: Park Guell. Não sem antes apanhar uma molha. O que vale é que o tempo estava quente. O P.G….enfim, mais uma obra espectacular de Gaudi. Comprei um livro que explica as partes principais. Visitei a casa Museu Gaudi, onde ele viveu durante 15 anos.

Parc Guell, Barcelona

Tem pormenores muito pessoais: a sua Bíblia, esboços, a sua cama de ferro (que parece de madeira),… O P.G. tem outra faceta: é um espaço onde se pode descansar no meio do arvoredo e passear sentindo o cheiro da terra e das árvores. Tenho de dizer una cosa: por todos os lugares onde tenho passado aqui, existe sempre um parque infantil metido num canto qualquer duma avenida, duma praceta, dum parque,… Barcelona cuida bem dos seus. Com isto tudo já eram quase 17:30, e já tinha chovido mais. Apanho outra vez a linha vermelha e faço-a toda até Francesc Macià-Diagonal (ainda tive tempo de visitar os jardins do Palau Reial). Aqui mudo para a linha azul e faço-a toda até à Placa Catalunya. Como já tinha gasto as duas baterias não tirei quase fotos nenhumas deste troço. Além disso já ía em quase 250 fotos tiradas! Pelo sim, pelo não, fui comprar um cartão novo. Comi uma tarte de maça e um copo de leite (já eram 21:00 e não tinha comido nada desde o almoço) e fui para o hotel pôr as baterias a carregar e tomar um duche. Fui jantar (saladas e carne grelhada) e pus-me no metro em direcção à praça de Espanha, porque a guia tinha dito que havia jogos de água na fonte até à meia-noite. Cheguei lá pelas 23:30 e…nada.

Museu Nacional de Arte da Catalunha, Barcelona

Tirei umas fotos de Barcelona à noite e do Museu Nacional de Arte da Catalunha e fiz-me à estrada em direcção ao Pueblo Espanyol. Este local é um conjunto de várias arquitecturas de toda a Espanha e tem artesãos de todos os lugares a fazer as suas obras. Ainda por cima, está aberto até às 06:00am. Pois…acontece que já eram 00:00 e os artesãos tinham ido dormir. Estou mesmo com azar hoje. Apanho novamente o metro em direcção à marina. Aí está montes de gente a passear, conversar, tocar música, andar de skate,… Fico a conhecer alguns navios de luxo, mas mesmo luxo. Em Port Vell vou a uma discoteca beber uma Heyniken (ou será Heinyken?), mas farto-me depressa. Isto de ir a discotecas sozinho não é comigo. Fico com uma sensação que me faz sentir sozinho, a ver toda aquela gente a conversar uns com os outros e a divertir-se.

De regresso ao hotel ainda como um gelado de Straciatela e café e…sujo as calças com chocolate. Lá vou ter de as mandar lavar. Faço parte do caminho a pé e ainda vejo um grupinho a tocar música e a fumar uns charrinhos, e assisto a uma intersecção da policia a dois tipos que passeavam na rua. Até os revistaram. E pronto…são 04:30am  vou-me deitar.

Até amanhã.

(continua)

Viagem a Barcelona, Setembro 2005 (2)

(continuação)

Saí do restaurante e começo a caminhar pela Calle Provença em direcção à Sagrada Família. Passo pela Casa Terrades, pelo PG. De Sant Joan e Pl. Mossèn Jacint Verdanguer (não faço ideia de quem é) e chego à Sagrada Família. Fico sem palavras. É

Sagrada Familia, Barcelona

impossível existirem palavras para descrever o que se vê. A melhor ideia que posso dar é de uma pessoa a olhar e que não fala nem consegue desviar o olhar durante largos minutos. Vejam as fotos. Ao lado deste monumento existem dois parques (Pl. Sagrada Familia e Pl. Gaudí), que a esta hora (01:00AM) estão um bocado mal frequentados. Não é só aqui. Um pouco por todo o lado se vê prostituição (mais masculina que feminina), sem abrigo e muitas ruas a cheirar a lixo e urina.

Ponho-me a caminho da Pl. Pablo Neruda. Aqui assisto a uma cena que dá que pensar. Existem vários bancos de jardim que estão ocupados pelos sem-abrigo, e um deles está a varrer as folhas do chão para longe como se de uma casa se tratasse. Se calhar é mesmo a casa dele… Continuo em direcção à Pg. Sant Joan e viro para a Pl. Tetuan. Durante todo este caminho até ao Arc de Triomf vou ser acompanhado de longe por uma moça que anda à mesma velocidade que eu. É reconfortante saber que, mesmo sozinho, parece que vou a partilhar os momentos com alguém. E há dois momentos a destacar: um em que somos alvejados do alto de um prédio por cubos de gelo; parece que alguém não gosta de gelo na bebida. É claro que levou com um dedo médio a apontar. Outro em que três ilustres senhoras que estavam sentadas num banco, se levantam de repente e aos gritos a apontar para duas baratas que andavam por perto. Foi um momento hilariante ver a rapidez com que os insectos mudavam de direcção conforme as senhoras mexiam as pernas e os braços.

Chegado ao Arc, viro para a Calle Comerç, onde sou alvo de uma tentativa de semi-abordagem por parte de uma moça que estava preparada para a noite. Deixei-a para trás e segui em frente a sorrir e com o meu ego em cima: afinal não passo assim tão despercebido. Esta zona de Barcelona é muito movimentada e cheia de bares. Passei por Princesa e virei a esquerda para a Calle Montcada. Aqui encontro uma porta que me desperta o interesse. A fachada do edificio é toda em pedra. A porta é toda em madeira e está entreaberta, vindo de trás da porta um som que me faz lembrar árias famosas de ópera. Espreito e deparo-me com um ambiente de arte, descontração e bem viver. Um pátio interior em pedra num edificio de 3 pisos. Em baixo existem colunas de pedra suportando algumas arcadas, por onde sobem trepadeiras. Ao fundo uma escada com arcadas em pedra trabalhada comunica com o 2º piso. Nas várias janelas ou portas de sacada existem varandins em ferro forjado. No páteo estão dispostas várias mesas onde muitas pessoas conversam serenamente à luz das velas acompanhadas pelo som verdadeiramente maravilhoso de uma avantajada senhora que canta divinalmente. Ao fim de 30 segundos percebo que aquilo não é para mim e que estou ali a mais, embora me apetecesse ficar ali o resto da noite. Mais tarde fiquei a saber que aquele lugar é um dos mais chiques de Barcelona, sendo conhecido por Palau Dalmases. Prescindo de consultar a ementa e continuo o meu passeio para a Pg. Born, passando pela frente da Església de Stª Maria del Mar em direcção à Via Laietana.

Por esta altura começo a deixar de sentir os pés, ou melhor, a senti-los demais. E ainda falta muito até regressar ao hotel!

Passo pela Pl. Del Rei, pela frente da Catedral (que está cheia de andaimes – sim aqui fazem constantes manutenções aos edificios históricos) e vou pelo Barri Gòtic em direcção à PL. Catalunya. Aqui existe muitíssimo movimento, dado que nesta praça se juntam todos os tipos de meios de transporte. Por falar nisso, vêem-se centenas ou mesmo milhares de scotters e bicicletas. Não admira, existem vias especiais para bicicletas em quase todas as ruas/passeios principais. E assim vou direito ao hotel, mas antes ainda tenho tempo de admirar as casas Lleú Morera, Amatller e Batlló. Estou cansado. Já são 03:40. Vou dormir. Zzzzzzzzzzzzzz (continua)

 

Viagem a Barcelona, Setembro 2005

La Pedrera, Barcelona

Nesta viagem fui sózinho e num misto de trabalho e lazer. Tinha de estar em Barcelona no domingo à noite, mas consegui ir na 6ªfeira. Vou colocar aqui a minha descrição da mesma, mas em vários artigos, pois colocar tudo num único torna-se cansativo.

Barcelona, 10SET2005 02:45 AM

Pois é…aqui estou eu neste hotel a tentar passar para o papel o que aconteceu nas últimas horas.

A sensação de estar sozinho no aeroporto, à espera de seguir para um destino desconhecido tem um misto de tristeza e descoberta. Descoberta por ir conhecer novos lugares; tristeza por não ter com quem partilhar as experiências vividas. Talvez por isso esteja a escrever estas linhas.

Depois do voo e ao sair do aeroporto, apanhei um táxi para o hotel. Como que por artes mágicas, calhou-me logo um motorista sui generis. Não pude ir para o banco da frente porque este estava ocupado por uma guitarra clássica. Pois…parece que o Manuel (é assim que se chama) anda a aprender a tocar nas horas vagas. Lá contei que também tenho uma viola mas que nunca aprendi a tocar e a conversa desenrolou-se, meio em português meio em catalão, com fados e guitarradas portuguesas pelo meio. A certa altura, a conversa foge para o filosófico e, qual não é o meu espanto, quando o homem me apresenta um livro escrito e editado por ele. “Proibido pensar” – assim se chama o livro. Por educação (e interesse) perguntei de que falava. Afinal o homem é um revolucionário (dito por ele). O livro fala do bem e do mal, considerando o mal como uma doença que precisa de ser tratada, sendo o primeiro passo para o tratamento reconhecer que o mal é uma doença. Fala também que o ódio não é um sentimento e muito menos é o oposto do amor. O oposto do amor é a indiferença, enquanto o oposto do ódio é a serenidade, o bem estar, a cura.

Chegamos ao hotel. Fui para o quarto 109. Desfiz a mala, descansei um pouco e…já eram 22:45. Saí para passear e comer alguma coisa. Logo ao pé do hotel fica a casa “La Pedrera”. Dispensa apresentações. Encostado à Pedrera fica um restaurante chamado “Chicago”. Entrei e pedi um hambúrguer e uma San Miguel. O restaurante estava cheio. Estes espanhóis (uupss!), catalães fazem mesmo barulho! Os empregados ficaram sem saber a minha nacionalidade, dado que eu falei catalão/castelhano perfeito. No restaurante havia um rapaz que tinha um aspecto engraçado. Imaginem um homem baixo, um pouco ‘redondo’, com pouco cabelo, com um cabelo de cerca de 3 cm e com este junto aos ‘montinhos’ com gel. O homem parece mesmo um porco-espinho! Para minha surpresa, quando se vai embora leva um capacete. Vai ficar com o penteado estragado. (continua)