Viagem a Barcelona, Setembro 2005

La Pedrera, Barcelona

Nesta viagem fui sózinho e num misto de trabalho e lazer. Tinha de estar em Barcelona no domingo à noite, mas consegui ir na 6ªfeira. Vou colocar aqui a minha descrição da mesma, mas em vários artigos, pois colocar tudo num único torna-se cansativo.

Barcelona, 10SET2005 02:45 AM

Pois é…aqui estou eu neste hotel a tentar passar para o papel o que aconteceu nas últimas horas.

A sensação de estar sozinho no aeroporto, à espera de seguir para um destino desconhecido tem um misto de tristeza e descoberta. Descoberta por ir conhecer novos lugares; tristeza por não ter com quem partilhar as experiências vividas. Talvez por isso esteja a escrever estas linhas.

Depois do voo e ao sair do aeroporto, apanhei um táxi para o hotel. Como que por artes mágicas, calhou-me logo um motorista sui generis. Não pude ir para o banco da frente porque este estava ocupado por uma guitarra clássica. Pois…parece que o Manuel (é assim que se chama) anda a aprender a tocar nas horas vagas. Lá contei que também tenho uma viola mas que nunca aprendi a tocar e a conversa desenrolou-se, meio em português meio em catalão, com fados e guitarradas portuguesas pelo meio. A certa altura, a conversa foge para o filosófico e, qual não é o meu espanto, quando o homem me apresenta um livro escrito e editado por ele. “Proibido pensar” – assim se chama o livro. Por educação (e interesse) perguntei de que falava. Afinal o homem é um revolucionário (dito por ele). O livro fala do bem e do mal, considerando o mal como uma doença que precisa de ser tratada, sendo o primeiro passo para o tratamento reconhecer que o mal é uma doença. Fala também que o ódio não é um sentimento e muito menos é o oposto do amor. O oposto do amor é a indiferença, enquanto o oposto do ódio é a serenidade, o bem estar, a cura.

Chegamos ao hotel. Fui para o quarto 109. Desfiz a mala, descansei um pouco e…já eram 22:45. Saí para passear e comer alguma coisa. Logo ao pé do hotel fica a casa “La Pedrera”. Dispensa apresentações. Encostado à Pedrera fica um restaurante chamado “Chicago”. Entrei e pedi um hambúrguer e uma San Miguel. O restaurante estava cheio. Estes espanhóis (uupss!), catalães fazem mesmo barulho! Os empregados ficaram sem saber a minha nacionalidade, dado que eu falei catalão/castelhano perfeito. No restaurante havia um rapaz que tinha um aspecto engraçado. Imaginem um homem baixo, um pouco ‘redondo’, com pouco cabelo, com um cabelo de cerca de 3 cm e com este junto aos ‘montinhos’ com gel. O homem parece mesmo um porco-espinho! Para minha surpresa, quando se vai embora leva um capacete. Vai ficar com o penteado estragado. (continua)